Voltar para notícias
18 de dezembro de 2020
Notícia

Covid e Liderança Feminina

Redação: Maria Júlia Dias

Igualdade de gênero é um assunto que nunca pode sair da pauta. De um milhão de pessoas que saíram do mercado de trabalho durante a pandemia, mais de 800.000 foram mulheres e, em sua maioria, negras e latinas que estão constantemente tentando retomar seu lugar de direito no mercado. Mas se analisarmos essa problemática mais de perto, qual será o impacto - num futuro próximo - da perda de representação feminina em posições de líder?

Três em cada quatro mulheres dizem que o abandono ao trabalho tem como razões principais o esgotamento emocional e o aumento das obrigações dentro de casa nessa fase pandêmica. Retornar ao mercado de trabalho pode significar assumir um cargo inferior ao que possuíam e um caminho ainda mais lento e turbulento em direção a promoções.

De acordo com um relatório do Women in the Workplace 2020, as mulheres contribuem muito para a cultura de inclusão. Mais da metade das mulheres que possuem cargos altos defendem regularmente a igualdade de gênero e etnias dentro do ambiente de trabalho e são mais proativas em orientar e patrocinar outras mulheres. 38% das mulheres de nível sênior atualmente incentivam e ensinam mulheres negras enquanto apenas 23% dos homens em nível sênior fazem o mesmo.

Além disso, de acordo com Caron Evans, chefe da Untapped AI, mulheres trazem maior inteligência emocional para o local de trabalho uma vez que pontuam de 10% a 15% a mais no teste de QE que os homens. Isso acontece porque quando se é uma minoria dentro de uma empresa, você precisa ter maturidade emocional e habilidades de adaptação maiores para que não seja subestimada por seus colegas e são essas habilidades que trazem maiores resultados positivos dentro das organizações durante a pandemia. É preciso que os líderes de uma equipe sejam firmes, cheios de autoconsciência e adaptáveis à imprevisibilidade e mulheres costumam entregar mais essas características que os homens.

O artigo “É fato: países com líderes mulheres vão melhor contra a covid-19. Por quê?”, publicado na revista Exame em setembro de 2020, traz comparações de enfrentamento do Covid entre países governados por homens e por mulheres onde fica claro que mulheres oferecem mais auxílio, apoio e proatividade de ajudar o coletivo do que homens, tendo uma comunicação mais ativa e participativa.

Quando olhamos para mulheres líderes como Angela Merkel (política alemã e atual chanceler do país desde 2005) ou Tsai Ing-Wen (política da República da China, atual presidente de Taiwan desde 2016) fica muito claro como mulheres sabem gerenciar crises e possuem fortes posicionamentos em tempos difíceis. Teresa Carroll, presidente da Oasis, diz que essa gestão de crise ganha força em mãos femininas por causa da empatia, facilidade em realizar multitarefas e a capacidade de receber e organizar informações na hora de tomar decisões.

Apoiar a liderança feminina durante a pandemia trará para as empresas a capacidade de reter mulheres e atrair futuras líderes. Encontraremos um mercado de trabalho completamente diferente pós pandemia; daí a importância de as mulheres assumirem posições altas na empresa, pois isso garantirá mais lealdade, inovação e lucros no futuro, com um olhar 360º. Assim, vemos que ter uma mulher comandando uma equipe dentro da sua empresa não é apenas uma atitude humanizada em direção a diversidade mas também projeção de lucro e prosperidade.